Deito fora todas as imagens guardadas na minha memoria.
Sem ti, para que me servem as imagens?
Preciso habituar-me... a substituir-te pelo vento, que está em qualquer parte e cuja direcção é igualmente passageira e verídica.
Preciso habituar-me ao trémulo vigor de todos os teus gestos invisíveis, à canção que tu me cantavas e que ninguém a ouvia a não ser eu...
Irei e conseguirei ser feliz sem as imagens.
As imagens não dão felicidade a ninguém.
Imagens são imagens, não tem cheiro, toque ou som...
Era mais difícil perder-te, do que esquecer as imagens, e, no entanto, perdi-te.
Era mais difícil inventar-te, e eu inventei te.
Era mais difícil ficar sem ti, e afinal nunca te tive.
Posso passar sem as imagens assim como posso passar sem ti.
Não vou desesperar...muito menos matar-me.
A tua imagem irá desaparecer, assim como tu desapareceste...
E hei-de ser feliz, voltarei a ser, ainda que isso não seja ser feliz.